Há alguns lugares em Paris que nos causam impressões marcantes. Até o momento, dois deles despertaram minha sensibilidade de maneira indiscutível. O Musée d'Orsay é um deles.
Já comentei com vocês que aqui é terminantemente proibido fotografar ou fazer filmagem.
Mas o melhor registro das imagens deste museu fica gravado no espírito de cada um, com toda a certeza. Pois é absolutamente impossível entrar e sair daqui do mesmo modo.
Minha visitação começou com os pintores impressionistas. Renoir, Monet, Cézanne. No centro das salas há alguns bancos. Podemos nos sentar ali e ficar analisando as obras de arte, absorvendo tudo que vemos. Eu senti vontade de fazer isso algumas vezes. E o fiz. Os reflexos da água na obra de Monet, por exemplo, "Le Pont d'Argenteuil" (1874), me deixaram alguns minutos em êxtase.
As obras simbolistas das coleções do Orsay também têm uma expressão marcante. Paul Gauguin, Redon, Paul Sérusier, Lucien Lévy-Dhurmeur.
Estive lendo uma frase de Gauguin, evocando as aspirações dos artistas da sua geração (sentimentos, sonhos, paixão, enfim, uma intensa vida interior):
"L'art est une abstraction, tirez-la de la nature en rêvant devant."
Sentir a arte como a abstração que ele diz, mas ver diante de você o autor retirando essa arte da natureza enquanto sonha diante dela, é muito diferente do que estudava há longos anos atrás no meu rápido curso de História da Arte na Universidade.
E além de Gauguin, Vang Gogh e Manet se destacaram.
Mas não posso deixar de falar das esculturas também. E destaco uma de Ernest Barrias, que sem dúvida, é minha preferida. Feita de mármore colorido. Seu nome é:
"La Nature se dévoilant à la Science"
Como não podemos fotografar, aí está uma imagem dela para que me deem razão. Voilà!